quinta-feira, 3 de junho de 2010

::.. CONTATOS DE 4º GRAU ..::

::.. Sinopse ..::
Em uma cidade do Alasca, um grande número de sumiços foi registrado durante os últimos 40 anos. Alguns afirmam que as autoridades encobrem os casos e que os sumiços seriam consequencias de possíveis abduções.
::.. Ficha Técnica ..::
Título Original: The Fourth Kind.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Olatunde Osunsanmi.
Roteiro: Olatunde Osunsanmi, baseado em história de Terry Robbins.
Produção: Paul Brooks, Joe Carnahan e Terry Robbins.
Fotografia: Lorenzo Senatore.
Edição: Paul Covington.
Música: Atli Orvasson.
::.. Elenco ..::
Milla Jovovich, Will Patton, Hakeem Kae-Kazim, Corey Johnson, Enzo Cilenti, Elias Koteas, Eric Loren, Mia McKenna-Bruce, Raphaël Coleman, Daphne Alexander, Alisha Seaton, Tyne Rafaeli, Pavel Stefanov, Kiera McMaster, Sarah Houghton, Julian Vergov, Yoan Karamfilov e Olatunde Osunsanmi.
::.. Site Oficial ..::
http://www.thefourthkind.net/

Subverter a realidade. Como você já deve ter percebido, nos últimos anos o número de produções que apostaram no formato documental misturado a ficção cresceu consideravelmente. Uma das razões responsável por boa parte destes fenômenos é mais a popularização do vídeo digital entre os espectadores.

Essa popularização permitiu não só que as imagens tremidas e de pouca qualidade passassem a ser uma linguagem aceita nas grandes produções como também ganharam maior simpatia por parte do público, graças a proximidade com que dialogam com ele e a verossimilhança que proporcionam.

Assim como A Bruxa de Blair, Cloverfield - Monstro e o recente sucesso Atividade Paranormal, Contatos de 4º Grau aposta na mesma linha de raciocínio, mas mescla os estilos documental e ficcional, dando a entender que o seu filme, na verdade, é uma versão dramatizada de ventos reais que teriam ocorrido entre 2000 e 2003 na desconhecida cidade de Nome, no Alasca.

A premissa do filme é que durante esse período uma série de ventos estranhos e similares teriam ocorrido na cidade e diversas pessoas teriam sido vítimas de abdução alienígena. O fio condutor da trama é a Drª. Abbey Tyler (Milla Jovovich), uma vez que todas as vítimas são seus pacientes e parecem descrever as mesmas visões e sensações.

Embora siga a mesma linha das produções citadas acima, em Contatos de 4º Grau o diretor Olatunde Osunsanmi faz uma aposta diferenciada. Logo no início do filme, Milla Jovovich (Resident Evil - O Hóspede Maldito) surge na tela e explica que ela é apenas uma atriz dramatizando os fatos supostamente acontecidos e fartamente documentados em imagens à época dos acontecimentos. Com isso, o diretor desvia, de certa forma, a atenção do filme para as imagens captadas de maneira amadora, uma vez que nos contrapõe claramente o que é real e o que é ficcional.

Essa dualidade fica clara logo adiante quando uma tela dividida em duas coloca lado a lado a Abbey Tyler "real" e a versão interpretada por Milla Jovovich. O que, em tese, poderia funcionar e servir para dar mais credibilidade à trama porém, desmorona com muita facilidade. Suas opções estéticas de, em alguns pontos, dividir o quadro em até quatro partes dão a falas sensação de dinamismo quando, em verdade, nada de mais está acontecendo em cena.

Com raros momentos de clímax criados pela narrativa a saída encontrada e trabalhar com uma trilha sonora contínua, com altos e baixos para criar uma clima de intriga e tensão. Seria algo normal e corriqueiro se fosse utilizado com moderação ao longo do filme. Porém, em Contatos de 4º Grau a música é incessante, do primeiro ao último minuto. Seu excesso acaba gerando um efeito contrário. Ao invés de ela pontuar os momentos de clímax, torna-se parte da "ambientação", perdendo completamente o seu efeito.

Suas supostas imagens documentais, embora convincentes, esbarram em alguns outros problemas. Sozinhas elas não são suficientes para criar uma história convincente. Da mesma forma, se a história fosse apenas dramatizada, diante do apresentado dificilmente a trama se sustentaria sem cair no descrédito.

Obviamente não vou revelar o final da produção aqui, mas o fator principal que coloca em cheque a premissa do filme é uma prova documental de um crime que, claramente, deveria ser do conhecimento de todos os envolvidos já no início do filme. Seu surgimento no apenas no final da a clara impressão de um enxerto, de um truque simples encontrado para omitir do espectador uma informação que, obviamente, em momento algum ele poderia concluir. Em outras palavras, um pequeno "jogo sujo".

Se por um lado o diretor tenta se mostrar isento, eximindo-se ao menos textualmente de qualquer conclusão quanto às causas e consequências da história, o mesmo não se pode dizer do que ele apresenta já que, questionando seu principal personagem com uma informação óbvia (omitida propositalmente durante o filme) ele destrói tudo aquilo que porventura tenha conseguido construir.

Ao assistir ao filme, pense na seguinte situação: qual seria a sua reação às alegações do personagem principal se, logo no início da história, a evidência que só é revelada no final (propositalmente, pois a história da a entender que ela perfeitamente poderia já ser do conhecimento de todos) fosse um dos fatos apresentados?

Omitir fatos para que o espectador construa em quebra-cabeças durante a trama é uma coisa. Porém, omitir uma prova sem dar nenhuma evidência sobre ela e, ainda por cima, fazer com que ela tenha papel determinante na conclusão é outra completamente diferente. Um golpe baixo para que a estrutura da história funcione e, assim, possa proporcionar alguma tensão.

Embora interessante em sua premissa, Contatos de 4º Grau se perde na indecisão e na confusão de tentar tornar verdadeiro o que obviamente não é. E, por outro lado, da mesma forma perde a oportunidade de contar uma obra ficcional com suporte de imagens documentais. Na tentativa de ser eficiente nas duas pontas a produção, infelizmente, apresenta um resultado final mediano e decepcionante.

::.. Trailer ..::

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